Tenho visto aumentarem as reportagens sobre imigração, eu mesma já coloquei um link para uma e um fato recorrente é a reclamação de alguns portugueses sobre o problema dos vistos, a demora, a dificuldade que é conseguir um. Em primeiro lugar, quero deixar claro que não sou contra a imigração, eu acho que as pessoas tem o direito de buscar o melhor em qualquer país, de recomeçar como eu e outros amigos o fizemos em Portugal. Acontece que tem um problema: as pessoas acham que vão ser tratadas como brasileiros ou como acham que os brasileiros são tratados em Portugal, aliás, há a ilusão de que nós fomos ou somos muito bem tratados e de que para nós foi fácil conseguir ficar legal. Nã queridos, não é bem assim. Não é lá por ser um país de terceiro mundo que não devemos de ter burocracia, leis, regras, etc. Só para ilustrar, meu marido saiu do Brasil já empregado no ano de 1998 e naquela época tinha de ir regularmente à Espanha no Consulado Português para pedir o visto de residência. Ele ficou dois anos ilegal porque simplesmente além da espera de um ano (a previsão era de um ano em média!), perdeu mais um pois os seus papéis foram extraviados durante o processo. Antes de haver agendamento no SEF, era preciso enfrentar uma fila gigantesca, muitas vezes tinha de ir de madrugada, faltar ao trabalho (o que como era RV implicava em ser descontado), ser pessimamente atendido. Também há o preconceito por estar ilegal, muitos patrões não aceitam fazer o contrato que poderia servir de entrada ao visto de trabalho e sim muitos foram enganados assim como outros o foram no Brasil, ao trabalhar e não receber. Quanto a mim, fiquei mais de seis meses ilegal, isto porque contei com a ajuda de uma advogada porque eram impedimentos e mais impedimentos por parte do SEF para liberar a papelada, sendo a mesma novela para renovar o visto. E mais tarde, depois de três anos de casada consegui a cidadania (que demorou a volta de nove meses) pelo meu marido estar há mais de seis anos legalmente no país. Ora com o acordo bilateral entre Brasil e Portugal isto é possível para ambas nacionalidades. Acreditem que é bem pior quando se trata de outros países como Espanha, Argentina, etc. E por acaso lá fora é diferente? Nesta semana uma amiga do marido conseguiu a cidadania canadense após 10 anos, a minha cunhada tem o green card depois de casar com um americano, no entanto já morava lá há bem mais de uma década. Eu acho justo. Acho justo que seja para ambos os lados, morar seis anos legalmente ou estar casado com um cidadão há pelo menos três é bem razoável. Mas é claro que entendo que estes comentários vem de alguém que pouco sabe sobre a vida de imigrante e ainda tem muito a aprender. Porque como dizem por aí, pimenta nos olhos dos outros é refresco. Não é que sejam uns coitados que caíram no conto do vigário, é que agora sim vão viver a vida "fácil" que os imigrantes tiveram em Portugal.quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Vida de imigrante
Tenho visto aumentarem as reportagens sobre imigração, eu mesma já coloquei um link para uma e um fato recorrente é a reclamação de alguns portugueses sobre o problema dos vistos, a demora, a dificuldade que é conseguir um. Em primeiro lugar, quero deixar claro que não sou contra a imigração, eu acho que as pessoas tem o direito de buscar o melhor em qualquer país, de recomeçar como eu e outros amigos o fizemos em Portugal. Acontece que tem um problema: as pessoas acham que vão ser tratadas como brasileiros ou como acham que os brasileiros são tratados em Portugal, aliás, há a ilusão de que nós fomos ou somos muito bem tratados e de que para nós foi fácil conseguir ficar legal. Nã queridos, não é bem assim. Não é lá por ser um país de terceiro mundo que não devemos de ter burocracia, leis, regras, etc. Só para ilustrar, meu marido saiu do Brasil já empregado no ano de 1998 e naquela época tinha de ir regularmente à Espanha no Consulado Português para pedir o visto de residência. Ele ficou dois anos ilegal porque simplesmente além da espera de um ano (a previsão era de um ano em média!), perdeu mais um pois os seus papéis foram extraviados durante o processo. Antes de haver agendamento no SEF, era preciso enfrentar uma fila gigantesca, muitas vezes tinha de ir de madrugada, faltar ao trabalho (o que como era RV implicava em ser descontado), ser pessimamente atendido. Também há o preconceito por estar ilegal, muitos patrões não aceitam fazer o contrato que poderia servir de entrada ao visto de trabalho e sim muitos foram enganados assim como outros o foram no Brasil, ao trabalhar e não receber. Quanto a mim, fiquei mais de seis meses ilegal, isto porque contei com a ajuda de uma advogada porque eram impedimentos e mais impedimentos por parte do SEF para liberar a papelada, sendo a mesma novela para renovar o visto. E mais tarde, depois de três anos de casada consegui a cidadania (que demorou a volta de nove meses) pelo meu marido estar há mais de seis anos legalmente no país. Ora com o acordo bilateral entre Brasil e Portugal isto é possível para ambas nacionalidades. Acreditem que é bem pior quando se trata de outros países como Espanha, Argentina, etc. E por acaso lá fora é diferente? Nesta semana uma amiga do marido conseguiu a cidadania canadense após 10 anos, a minha cunhada tem o green card depois de casar com um americano, no entanto já morava lá há bem mais de uma década. Eu acho justo. Acho justo que seja para ambos os lados, morar seis anos legalmente ou estar casado com um cidadão há pelo menos três é bem razoável. Mas é claro que entendo que estes comentários vem de alguém que pouco sabe sobre a vida de imigrante e ainda tem muito a aprender. Porque como dizem por aí, pimenta nos olhos dos outros é refresco. Não é que sejam uns coitados que caíram no conto do vigário, é que agora sim vão viver a vida "fácil" que os imigrantes tiveram em Portugal.Hã?!
Surpreendida por não haver um meio termo entre desenhos violentos e desenhos/programas babacas que são chamados "educativos". É que ver uma meia falar não é propriamente estimulante, nem aqueles desenhos em que todo mundo, mas todo mundo ao mesmo tempo é sempre bonzinho e a única discussão que há é entre colorir o sol com amarelo ou laranja. Mas veja bem, não podemos ser preconceituosos com as outras cores, afinal também é bonito pintar o rio de roxo, o sol de verde...
Alguém avise os criadores, escritores, sei lá, de que crianças com dois anos possivelmente fariam um trabalho melhor. (Isto a julgar pelas histórias que o Fabian inventa).
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Não há certo nem errado: há sentimentos.
Desde que me lembro há em mim duas pessoas: aquela que sou e aquela que tenho de ser. Durante a minha infância e adolescência este questionamento foi crescendo a medida que ia entendendo que as outras pessoas deixavam escapar um pouco de si em uma conversa ou discussão. Foi então que apercebi-me que não estava só. Mas junto desta dualidade vinha a culpa, a culpa por não conseguir ser quem eu sou, a culpa por ter de fingir o que não sinto, o medo de não ser amada por eu mesma, pois que quem era amada era a outra, aquela que eu podia mostrar.
Fiz terapia por mais ou menos seis anos e foi a melhor coisa que me aconteceu. Abriu os meus horizontes, fez-me questionar os meus valores e pensamentos. Lembro-me de algumas vezes dizer que sofria porque não conseguia demonstrar amor ou simpatia por determinada pessoa ou situação. E lembro-me também dele me perguntar o porquê. Porque eu deveria sentir amor? Porque eu deveria sentir pena? Porque eu deveria sentir o que quer que fosse por alguém ou por mim? Não, eu não deveria. Esta é a outra. Eu não tenho de me sentir culpada por não conseguir ser o que os outros esperam de mim. A única pessoa a quem devo fidelidade sou eu. A mim devo honestidade, aceitação. Não estou querendo dizer que por isto vou sair aí agindo à louca, machucando gratuitamente as pessoas, nem dizer bem feito por isto ou aquilo que fizeram. Apenas falo na quietude do ser. Para mim não é preciso fingir, posso ser eu com todos os defeitos e posso ser eu (em pequenas medidas) com o mundo. Calar não é fingir. E por isto me calo quando não concordo com algo, quando o que penso não é o que a pessoa queria ouvir. Calar é respeitar o outro e a si mesmo. É como fazer as pazes comigo, pois para mim calar não é consentir, calar é uma forma de conviver sem me trair.
E este blog tem sido a minha terapia desde então, muitas vezes quase que o imagino sentado a minha frente a me escutar e questionar. Ele sempre me dizia para observar os meus pensamentos, mas não me prender a eles, a deixar ir, a aceitar, a questionar. E questionando-me constantemente, dizendo coisas que não gosto de ouvir, tenho me conhecido melhor. Tenho trabalhado a culpa que há em não ser sensível em relação a grandes tragédias, em primeiro lugar porque sou constantemente exposta a isto pelos jornais e tv, em segundo porque o sentir como, quando e em que intensidade, é relativo. Posso sentir alguma coisa por alguém em determinado momento, e depende do meu estado de espírito sentir mais ou menos, porque acho que o sofrimento nos torna um pouco egoístas. Mas quando sentir, tenho de realmente sentir. Tenho de me imaginar na situação do outro, sentir a sua dor por alguns minutos, tenho de pensar o que faria, tenho de mandar pensamentos de amor. Porque para mim isto é sentir, isto é ter empatia com outro ser humano. Não é dizer que horror e virar as costas.
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