segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Você percebe que é diferente quando...


As histórias que inventava para as bonecas passam pela Barbie trair o Bob com o Ken, a Skipper andar a se atirar ao tio, o Tommy ser uma peste de criança, e o Ken depois de descobrir tudo, virar alcoólatra. Deve ser por isto que as minhas amigas não se cansavam de brincar comigo.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Conta aqui pra tia

É certo que as pessoas tem o livre arbítrio para escolher quantos filhos querem ou mesmo se não quiserem nenhum. Agora sabe o que enjoa, o que já está batido demais, é esta história do "aconteceu". É porque o "aconteceu", acontecia era no tempo dos nossos avós e às vezes no tempo dos nossos pais, que os métodos anticoncepcionais eram mais falhos do que os de hoje. E é incrível que  ainda exista gente que acredite na tabelinha. Sabe como se chamam estas pessoas? Pais. O meu marido teve os dois filhos por causa da tabelinha e só andava armado no período fértil. Olha que resultou nisto. Mas hoje caramba que não há desculpa para surpresa destas. Quero ver juntar pílula+ camisinha ou injeção de hormônio + camisinha feminina ou ainda DIU + anticoncepcional masculino. Quero ver sair alguma coisa daí, se sair, podem chamar McGyver. Ah e para tudo ainda há a pílula do dia seguinte caso por algum motivo porre bebedeira não foi possível se proteger. Portanto, só engravida quem quer (refiro-me a quem faz sexo voluntariamente, não a estupros ou coisa do gênero). Se engravidou, é porque de alguma maneira queria engravidar. Quem não quer mesmo, de jeito maneira, niente, pas du tout, não engravida. Simples. Então assumam lá que no fundo queriam mais um filhote e deixem com estas desculpas de que aconteceu. Tem certas coisas na vida, que só acontecem se a gente quer. E graças à ciência, filhos é uma delas.
Ps: quem não quer mesmo, faz vasectomia ou ligamento de trompas, embora o primeiro seja muito mais simples e ainda é financiado pelo governo.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Tá rolando no mp3




Simplesmente adoro!!!

Onde termina o "eu"?



Esta pergunta foi feita por um professor alemão durante o período que frequentei a faculdade de Psicologia. Afinal onde terminamos e onde começamos? Eu sou a mesma pessoa que se relaciona com o marido e também a mesma que sou com a minha mãe ou com uma amiga muito próxima? Comporto-me e sinto-me a mesma quando estou em casa com a família, quando estou no cinema ou quando estou sozinha no quarto? Sendo eu uma pessoa muito individualista, estas primeiras questões foram vistas com desagrado, porque sempre pensei na unicidade do Ser e acreditava piamente na minha personalidade. Mas isto fez-me refletir. Realmente não sou a mesma quando estou com uma pessoa que amo do que com uma que me faz o estômago se estrangular. Não sou a mesma quando estou entre amigos do que quando estou em uma sala de aula rodeada de dezenas de desconhecidos. Posso descrever-me como tímida nesta última situação, mas ao mesmo tempo sou impulsiva e também muito prática e segura quando tenho de tomar decisões. Então é um fato a ideia de que mudamos e nos adaptamos conforme o ambiente. Inclusive um animal pode ter um comportamento diferente de acordo com as pessoas que lidam com ele (vejam o "encantador de cães").  E se um animal irracional que é um ser menos complexo que nós, isto é notável, então hoje parece-me perfeitamente possível o fato do (meu) "eu" não terminar em mim. Isto faz sentido? 
Quando nos relacionamos com alguém pegamos emprestado algo de sua energia, de sua personalidade e deixamos a ele também algo nosso. Relacionar-se com alguém é uma via de duas mãos, há sempre troca, mesmo que seja inconsciente. É por isto que não acredito em ódios e antipatias gratuítas. Nós sempre temos alguma responsabilidade por aquilo que recebemos. E é isto que tento aplicar em mim. Não gosto da palavra culpa. A culpa nos remete a um ciclo de vergonha e punição e isto não nos faz avançar, pelo contrário. Mas gosto da palavra "responsabilidade", ela está ligada as consequências de minhas escolhas e tanto podem ser boas como ruins. 
Tenho a tendência de me isolar na minha dor, na minha raiva, na minha angústia. E isto é uma das coisas com as quais tenho de lutar para sair deste poço sem fim. Acontece que não acredito em sair e não olhar para trás, porque isto me cheira a camuflagem. Acredito em escutar este meu lado revoltado, afinal o que é a revolta senão a busca pela compreensão? E escutar implica em falar sozinha e me ouvir, sentir aquela dor, chorar...dar um tempo para mim e depois sim partir para outra. Mas quando achamos que estamos em outra, vem alguém e puxa-nos aquele dark side que achamos que já não nos pertencia mais. E qual é a reação mais rápida que chego? A de que sou uma coitada que sofro e que sou injustiçada porque as pessoas não veem que mudei. Mas afinal como dizem por aí, só tem de mim o lado que merecem. Não, eu não termino em mim, no meu braço ou nas pontas dos meus dedos, ninguém cabe em si mesmo. E de certa maneira todos tem de volta um pouco do seu "eu" nas relações que lhes tocam. E deve ser por isto que precisamos dos outros para vermos a nós mesmos.
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