É cultural, sem dúvida. E também exige um pouco de vergonha na cara, vá lá. Eu saí de casa com 21 aninhos, mas confesso que não foi por mérito meu. Não tinha emprego, não aluguei e muito menos comprei apartamento, mas tão e só porque casei. Como antigamente.
Nos EUA é comum os jovens trabalharem desde os 16, quiçá talvez antes, e aos 18 fresquinhos irem embora de casa. Alguns sortudos para estudar, custeado pelos pais ou através de um crédito educativo que lhes cobra as suas almas. Mas e os pobres? Os pobres saem mesmo assim. Vão à sua vida, xô, xispa! Ou casam e tem filhos ultra cedo, ou trabalham em 3 ou 4 empregos, recebem o pagamento por semana e vão morar naqueles prédios populares.
E nós os latinos? Uma mãe norte americana com certeza torceria o nariz ao ver os "jovens" de 30 anos a viver com os pais. Aqui é muito comum, seja porque se emenda o fim do curso com o mestrado e mais tarde o doutorado, seja porque o salário é muito curto para custear a vida sozinho, seja pela mordomia de ter casa e roupa sempre lavada. A verdade é que muitas vezes um jovem tardio, como chamo, só sairá de casa quando encontrar um grande amor, daqueles que possam dividir as contas. E não é raro ver que quando o amor acaba, eles voltem à casa paterna.
As mães americanas simplesmente não entendem a nossa abnegação com estas crias criadas. Posso até antever os olhos consternados ante à explicação de uma mãe brasileira, na tentativa de amarrar os filhos com os seus braços enrrugados. A primeira mãe também ama os seus, mas entende que é preciso liberar para que alcem voo por si mesmos. Entende que o seu trabalho está feito, embora em momentos de aperto os possa acudir, eles tem prazo de validade e o prazo termina quando fazem 18. A segunda mãe, acha que o filho nunca está pronto na maioria das vezes, está a espera de um trabalho e salário melhor, está à espera de uma nota de dissertação, de um artigo publicado na revista acadêmica, de que o aluguel fique mais acessível ou que ache algum colega para dividí-lo. E assim eles vão ficando e passada a fase da adolescência a convivência é mais ou menos tranquila, não fosse o ônus por estar de certa forma protegido do mundo.
Quando os filhos trabalham e se esforçam para a independência futura, pode até entender e aceitar. Agora um filho com mais de 50 anos, que nunca trabalhou e vive como adolescente, inclusive com mesada e direito a saídas na night (que por acaso é meu cunhado), este sim era capaz de provocar enfarto na mãe americana.

