sábado, 9 de fevereiro de 2013

O sucesso escolar e o sucesso na vida



Estes dias conversávamos o marido e eu sobre o fato de que muitas, mas mesmo muitas das pessoas com quem convivi no período escolar e que eram as melhores, as que tinham as notas máximas e tals, são hoje indivíduos com vidas mais ou menos, que não renderam um décimo daquilo que "prometiam". Aí pergunto a ele o porque daqueles a quem desprezava (por eu ser daquelas criaturinhas que pertencia ao outro grupo) por não estudarem, por irem sempre mal nas provas, por andarem sempre envolvidos na bagunça em sala de aula, serem hoje aqueles que triunfaram comparativamente aos outros, os sempre tão certinhos e bons-alunos-de-futuro. 
Lembro-me de um caso da menina que na altura era considerada a melhor aluna da turma (não, não havia quadro de honra, era apenas uma constatação despretensiosa). Ela estudava muito e tirava as melhores notas (sempre). O sonho dela era passar em medicina na Ufrgs: o curso mais concorrido de todos, na universidade mais concorrida de todas por ser a melhor e por ser pública. Nós acreditávamos piamente que ela ia passar de primeira. Se alguém teria este feito, só podia ser ela. Acontece que não passou. Mas frequentou a faculdade de letras, com ênfase em inglês. Anos mais tarde, ainda não satisfeita, resolveu prestar vestibular novamente. Passou para a segunda opção: enfermagem. Era o mais próximo da medicina que conseguiu chegar.
Tive um colega daqueles que podemos descrever como o "do pessoal lá do fundo". Pronto. Apresentados. Era aquele que gostava de sentar lá atrás para atrapalhar a aula e debochar de tudo e de todos. Não estudava uma vírgula, passava sempre com as calças na mão e hoje, bem hoje deixa-me completamente embasbacada. Formou-se em direito, prestou concurso e atualmente trabalha em São Paulo, viaja o mundo, virou um gato e ganha muito bem. Casos destes tenho uma lista: a que trabalha na delegacia de polícia, o que trabalha com informática na Dell a ganhar a volta de 5 mil, a que formou-se em pedagogia e hoje é dona de uma creche, o que é professor de faculdade, o que tem uma firma de advocacia, o que é construtor, o que é major no exército, etc.
Isto faz-me pensar que a escola não serve de nada no quesito ensinar para a vida. Aliás, este até era o slogan da minha escola. Ensina é a decorar, a ler, a repetir. Ensina a padronizar, a conceituar, a passar horas a tentar entender coisas que não tem utilidade para a vida futura. A escola não ensina de todo a se virar na vida. A puxar o tapete dos outros, a trapacear, a levar o chefe e colegas no papo, a enfeitar o currículo para ter mais vantagem em relação a outros concorrentes. A escola por exemplo, não ensina que um MB ou um A em ciências não vai adiantar nada  na  hora em que estás tremelicando e batendo os dentes antes de uma entrevista. Afinal não nos ensinou técnicas de como controlar o nosso corpo. Não, a escola não ensina para a vida. Na vida vencem os mais despachados, os que não tem vergonha nem medo de se arriscar. Os que  algures depois da adolescência, abriram os olhos para o que realmente importa e correram atrás a fim de construir sua carreira. Na vida não vencem os que passaram horas e horas a estudar, a se preocupar com provas e a não dar importância às provas que a própria vida nos haveria de pregar. São imaturos, são enclausurados naquele mundo entre notas boas, na ilusão de que elas se estendam infinitamente além do percurso escolar.  É só copiar do quadro, prestar atenção no professor, chegar em casa, revisar a matéria, fazer os temas de casa e pronto. 
A vida é uma matéria muito complicada de entender, simplesmente porque exige vivência. E talvez seja por isto que o "pessoal lá do fundo" agora tenham as melhores notas.

Como eu me sinto quando

noto que as pessoas que dizem que a televisão aliena as pessoas são justamente as mesmas que estão sempre on line no facebook.





Tudo começa no peido e termina na merda

Querem ver o medidômetro do "à vontade" feminino? Contem as vezes que ela faz cocô. Como? Sim, quantas vezes faz cocô. Isto não funciona para a maioria dos homens que não estão para estas frescuras na hora de pestear o banheiro perto de visitas. Pelo contrário, a maioria das mulheres tem algum pudor quanto a dividir sua intimidade com pessoas a qual não se possui nenhuma. Cheguei no ponto que queria, meus caros bytes, a privacidade tão preciosa. É uma coisa a que a minha mãe não entende, tampouco o meu enteado, nem o meu cunhado. E não entendem porque esta não é a minha casa, é a casa da minha sogra, da vó dele, da mãe dele. Portanto não tenho mando de campo e consequentemente qualquer um pode chegar a hora que quiser, quando quiser, ficar o tempo que for que eu não tenho nada com isto. A não ser com a limpeza da casa. 
A privacidade é ouro: podemos por os pés no sofá, podemos usar a roupa que for, podemos tomar banho de porta aberta, podemos conversar coisas que só diz respeito a nós sem fazer cochichos à noite no quarto, podemos soltar puns à vontade, podemos fazer cocô. Cocô quantas vezes quisermos e sem precisar de disfarçar com a torneira aberta, com o abrir e fechar de gavetas, com o cheirinho de flores tailandesas no final que por si só já denuncia que algo de podre vai no reino da Dinamarca. 
A privacidade é daquelas coisas que nunca damos por ela...até perdê-la. Portanto, se vocês a possuem, são ricos de alguma forma. Porque privacidade é ouro, já vos disse. E não há nada pior do que a luta de um peido teimoso que faz com que vamos e venhamos da sala para o banheiro. Se sentamos no sofá ele vem. Trancamos. Se vamos para o banheiro, ele não quer sair. Ah é nestas horas que queria ser homem e mandar à merda esta educação feminina, ou então mandar as visitas. O que seria bem melhor. 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O sofrimento

Sei que sou uma drama queen, e tenho tendência a encarar tudo que passa na minha vida com a potência máxima. Mas uma coisa me aflige sempre que noto o coração mais duro. Antes eu pensava que o sofrimento me tornaria mais solidária, mais consciente, talvez mais agradecida se observar que há sempre alguém em pior estado que nós. Mas o sofrimento surpreendeu-me. Pelo contrário, sinto-me mais egoísta, mais mesquinha, mais impaciente e muitas vezes sem nenhuma vontade de me dar ao trabalho de empatizar com quem quer que seja.
Tenho tendência a minimizar os problemas alheios e tenho reparado que o marido também anda assim. Não são dois meses, são quase 9 meses desempregado, muita coisa se passou e não é rapadura. Quando as pessoas pensam "ah mas pelo menos tem saúde ou isto não é nada, logo vocês vão ter a casa de vocês", vem-me fogo nas ventas. Isto porque estes dias quase chorei a falar que não há pior coisa no mundo do que não ter a nossa casa. E as lágrimas e o turbilhão de emoções me atingiu em cheio a barreira desta represa que tão habilmente guardo. Foi como um soco. Pah, bateu nos olhos e voltou. É nestas horas que percebemos o peso invisível que carregamos. Os outros sempre tem um palpite a dar, uma coisa que devemos fazer. O marido a trabalhar de garçom ou a ganhar mil reais como um jovem inexperiente na sua área. Já pensaram que é um homem de quase 60 anos a recomeçar? Já pensaram que não tem 30 e que não pode se dar ao luxo de agora entrar em um emprego destes para mais tarde pleitear um salário melhor? É que não há tempo para rodeios. O Brasil exige juventude. Os patrões querem pagar pouquíssimo aos "sêniors". Como a minha mãe disse um dia: tá mas não vão poder ter carro, mas isto não mata ninguém. Isto vindo de uma pessoa que enche o tanque de um corolla  1 vez por semana, às vezes 2. 
Não é porque me ponha a olhar para as estrelas que o meu problema vai ser menor. Ele vai continuar tão e só do mesmo tamanho que está e proporcional com a atenção que lhe dou, ou seja, muita. Porque? Vejamos porque é uma merda depender de alguém, mesmo que seja parente. Porque é uma merda não ter casa, não ter o filho na creche (qualquer dia destes enlouqueço), não ter carro. Ter sempre alguém a julgar o que fazemos porque se fazemos é porque temos dinheiro e que não devíamos fazer isto ou aquilo, como se tivéssemos com passagem marcada a Nova Iorque. Porque ao virar do mês vamos nos separar e não sei quando iremos nos reencontrar. Porque é um pai que ama muito este filho, mas não vê saída a não ser ganhar esta França afora e até a Europa em busca de um emprego decente. Porque tenho que dizer milhões de vezes à minha mãe que não vou fazer concurso, que não vou fazer faculdade aqui porque a minha vida é ao lado do homem que eu amo. Porque os outros não tem sensibilidade nem sequer passaram por coisa parecida e portanto acho-me no direito de também não querer saber do resto do mundo já que ele me virou as costas. Infantil? Muito. Mas nunca estive aqui para bancar uma de mulher-superação, sou assim digamos...imperfeita. 
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