quarta-feira, 26 de junho de 2013

Millor

Tinha um amigo colorido que adorava o Millor Fernandes. Agora volta e meia deparo-me com citações no meu facebook e reconheço que o humorista tem umas tiradas muito boas! Vejam aí (grifei as que mais gostei):

1 “Se durar muito tempo, a popularidade acaba tornando a pessoa impopular”
2 “Fiquem tranquilos os poderosos que têm medo de nós: nenhum humorista atira pra matar”
3 “O aumento da canalhice é o resultado da má distribuição de renda”
4 “A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades”
5 “Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem”
6 “Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim”
7 “O cadáver é que é o produto final. Nós somos apenas a matéria prima”
8 “Chato...Indivíduo que tem mais interesse em nós do que nós temos nele”
9 “O cara só é sinceramente ateu quando está muito bem de saúde”
10 “De todas as taras sexuais, não existe nenhuma mais estranha do que a abstinência”
11 “Os nossos amigos poderão não saber muitas coisas, mas sabem sempre o que fariam no nosso lugar”
12 “Se todos os homens recebessem exatamente o que merecem, ia sobrar muito dinheiro no mundo”
13 “Há duas coisas que ninguém perdoa: nossas vitórias e nossos fracassos”
14 “O mal de se tratar um inferior como igual é que ele logo se julga superior”
15 “O homem é o único animal que ri. E é rindo que ele mostra o animal que é”

Retalhos


O ser humano é feito de retalhos. Penso que só assim para explicar tanta vontade contraditória, tanta voz vinda do nada. O ser humano é feito de retalhos, sendo que algumas partes herdamos dos pais e familiares distantes. Outras são fruto da nossa própria vivência, dos nossos tombos, das nossas lágrimas. Se não fosse assim, porque esta vontade de ficar quando todo o resto quer ir? Porque mesmo quando temos tudo que queremos, afinal uma parte de nós está insatisfeita e queria justamente o contrário? Talvez em nós haja dois corações. Duas cabeças. Quatro pernas e quatro braços. E o duplo de cada um é tecido por vozes diversas, sendo que um já está pronto. Acabado. O outro está sendo cosido constantemente, às vezes com defeitos de linha, às vezes muito apertado e outras espaçado demais. Brincamos de ser uma coisa só. Muito decididos e senhores de nós, quando não passamos na verdade de retalhos de vontades passageiras...

terça-feira, 25 de junho de 2013

Não posso mudar de ideia?

A mãe vê o filho chegar com os joelhos marrons quase todos os dias. As manchas dos joelhos não combinam com o resto dos pingos espalhados pelo peito e braços. Os tênis já gastos na biqueira estão completamente cheios de barro e dentro saem um punhado de pedras de cada pé. A mãe pensa na felicidade que é a próxima escola só ter concreto pintado de verde. 

As ruas de minha memória

É impossível não viajar ao passado cada vez que ando pelas ruas de minha cidade. O viaduto da Borges de Medeiros lembra nosso primeiro beijo, passo por ele dentro de um ônibus apertado e da janela embaciada vejo nossos fantasmas ansiosos e de mãos dadas. Quando subo a lomba da faculdade de direito, lembro-me de quando de manhã muito cedo meu avô me deixava naquela esquina. Justamente naquela esquina sempre que dormia na casa deles. Vi-me caminhando de sandálias altas em direção ao prédio de Psicologia. Vi ainda o vô arrancar o carro apressado rumo ao trabalho. Na Redenção caminhei vestida de grega juntamente com meus colegas para ensaiarmos a tragédia que escrevi. As pessoas nos olhavam e por certo nos tomavam por alguns malucos de uma seita qualquer. No Parcão vi nós dois sentados e teus braços me envolvendo fortes. Conversávamos do futuro. Tínhamos tantos planos... Engraçado eu ter chegado até aqui e não poder nos avisar. Fiquei a olhar tristemente aquelas silhuetas que se abraçavam e por mais que naquela hora tu viraste era a ti que parecia ver um fantasma. 
As ruas de minha cidade são verdadeiros caminhos que levam a mim, carregam-me seis, oito, doze anos atrás. Ou mais. Vejo-me criança a conversar com o meu pai. Vejo-me feliz ao trazer para casa um gatinho amarelo que ninguém quis. Vejo-me a pegar o ônibus tantas vezes, passar pela roleta, e com olhos distraídos não me vejo. Hoje não vejo a cidade que me viu crescer, vejo apenas a mim. Revivo memórias e tenho medo de abandonar o que ficou para trás.
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