Esta é uma questão que me aflige, tenho quase diariamente nestas últimas semanas recebido carta na agenda ou recado direto da professora sobre o Fabian estar batendo nos amiguinhos. Há alguns em que a situação ocorre com mais frequência pois são aqueles que como o meu filho são os mais teimosos em emprestar determinado brinquedo. Ainda esta segunda, recebi um aviso dizendo que ele bateu em uma colega com um pedaço de toco que eles tem para brincar na sala. Não sei como reagir, falo e explico exaustivamente que isto não se faz, que não se bate nos amiguinhos salvo em situações que precise se defender. Mas ensino-lhe a nunca começar uma briga, que devem emprestar seus brinquedos, etc etc. Mas eu sei no fundo que o Fabian anda em ebulição tal como eu. Angustiado, com raiva e inseguro. E pergunto-me, se é certo que devo ter mais paciência e tentar na medida do possível amenizar esta turbulência, mas como conseguir se eu mesma não encontro meu ponto de equílibrio? Às vezes tenho muita raiva entalada aqui dentro e fico pensando, aliás agora mesmo pensei sobre isto enquanto li o conjunto de emails de pais relatando os casos de agressão e deixando subentendido que o meu filho é o único causador desta. Fico com raiva porque lá falam da família e mimimi que não lhes falta nada, que tem suas casas, suas vidas estruturadas e grana claro, porque para colocar um filho naquela escola! Ninguém esteve nem perto da nossa situação, de estar AINDA sem lugar para viver, sem as suas coisas, de estar longe do pai por meses a fio. Ontem tive uma reunião com a coordenadora pedagógica e a professora e debulhei-me em lágrimas quando a última me contou, que quando algum pai vem buscar o filho, o Fabian sai correndo, abraça e dá beijinhos e chama de titio. Além de falar muito no pai, que tá longe, que tá lá na "Fança". Eu sei que isto não desculpa nada ou talvez sim, mas pronto, é o que sinto. Raiva de quem nem sabe o que é viver isto, tá lá com o cu bem confortável a ensinar sobre amor para os seus filhos. Ninguém diz para eles que o amor não é garantido, que o amor vai embora e que o amor não pode dar colo pelo computador. Raiva. Não sei como gerir isto. Insegurança. Não sei como desatar este nó. Falar, não sei quem merece escutar e quem sabe escutar.
Dizem que o tempo resolve, mas o tempo também é o culpado por não dar licença para minha impaciência passar...